quarta-feira, 2 de março de 2016

CULTURA QUE UNE - PROJETO

CULTURAQUEUNE.COM

Contexto para elaboração do projecto

A Galiza e o Norte de Portugal são filhos de uma mesma cultura que ficou dividida, não tanto na época em que D. Afonso Henriques proclamou a independência do Condado Portucalense, mas quando foram implantados os tratados de limitação de fronteiras por estados liberais fortemente jacobinos e centralistas ao longo do século XIX.
Nas duas primeiras décadas do passado século XX, intelectuais e criadores galegos e portugueses falaram da necessidade do reencontro. Mas as violências do século XX, nomeadamente as ditaduras, a Guerra Civil Espanhola, a repressão, as dificuldades económicas que afectaram os povos ibéricos pareceram silenciar este diálogo que, na forma de encontros entre arqueólogos, escritores, filólogos, etc., continuaram à margem do discurso oficial.
Amarante é uma referência para este reencontro e também encontro. A figura de Teixeira de Pascoaes, grande admirador de Rosalía de Castro (Pascoaes escrevia a Risco que haveria de se lhe fazer uma homenagem) foi uma referência simbólica para a intelectualidade galega. E não só Pascoaes. Também Leonardo Coimbra, Santos Júnior, Carlos de Passos, Hernâni Cidade, Rodrigues Lapa, Vicente Risco, Viqueira, Noriega Varela, Castelao, Filgueira, Jenaro Marinhas del Vallhe, Valentín Paz Andrade, Carvalho Calero, são um bom exemplo de intelectuais que, em algum momento da sua vida, trabalharam para o reencontro.
Mas se é necessário o reencontro também é igualmente necessária a redescoberta de um património cultural que teve origem no território da Gallaecia romana e que teve na língua galaico-portuguesa a sua fonte de criação. O património comum galaico-português faz parte do acervo da humanidade em criações tão singulares como as cantigas medievais da nossa lírica que transparecem uma rica tradição oral onde beberam os trovadores. A cultura popular comum que manteve a sua vitalidade até ao presente, apesar da fronteira política, deve obter o seu maior reconhecimento mediante a inscrição na Lista Representativa do Património Imaterial da Humanidade da UNESCO.
A aprovação a 11 de Março de 2014 pelo Parlamento Galego da Lei Valentín Paz-Andrade, fruto de uma Iniciativa Legislativa Popular, publicada no DOG de 8 de Abril de 2014, convida-nos, e até certo ponto obriga-nos, a aprofundar no esforço do reencontro.
A fim de contribuir para fazer da Lei realidade, damos impulso às seguintes actividades a desenvolver em Amarante e na Corunha nesta edição de 2015, que esperamos não seja a última. A eleição destas duas cidades para a presente edição não é arbitrária. Se Amarante tem a força simbólica de Pascoaes, a cidade da Corunha é onde está a sede da Academia Galega, instituição civil constituída por aqueles que pensavam no ressurgimento da Galiza.

O grupo de trabalho que constitui CUTURAQUEUNE está a desenhar as actividades para 2016, e tem pretensão de prolongar a sua actividade em futuras edições.
QUEM?
O grupo de trabalho Culturaqueune é, de momento, constituído por um conjunto de entidades de natureza jurídica variada, tais como Fundações, associações culturais, museus, autarquias, empresas e outras. Até ao final do ano será criada e legalizada uma associação única com uma irmã gémea do outro lado da fronteira. .

ONDE?
Gostaríamos que o próximo abraço culturaqueune fosse entre Vila Real e Pontevedra.

QUANDO?
Por razões simbólicas, os principais eventos decorrerão nos meses de Maio e Junho.
Maio é o mês das Letras Galegas – é o tempo de trazer o abraço galego a Portugal.
Junho, e sobretudo a partir do 10 de Junho, Dia de Portugal, será o tempo de levar a cultura portuguesa à Galiza.
O 1º e o último fim de semana de cada mês serão os momentos escolhidos para dar mais visibilidade ao projecto.

O QUÊ?
Durante o mês de Maio em Vila Real e no mês de Junho em Pontevedra, organizar-se-á um conjunto de actividades de intercâmbio cultural envolvendo os agentes culturais das duas regiões. Este ano haverá também, como novidade e a título experimental, o intercâmbio escolar.
Os eventos decorrerão nos equipamentos culturais da cidade, não apenas os que fazem parte da tutela da autarquia, mas também os outros de natureza particular, no sentido de os envolver e, sobretudo, o de os autonomizar, futuramente, construindo o seu próprio projecto de cooperação.
Os principais eventos contemplarão as várias áreas da cultura, nomeadamente:
MÚSICA
Música Erudita –  
Música Popular –
ARTES PLÁSTICAS
            Exposição de Fotografia – Tema TERRA, envolvendo 5 fotógrafos de cada lado da fronteira.
            Exposição de pintura e escultura.  
LITERATURA
            Bancada de livros portugueses e galegos (no átrio do teatro de Vila Real, a coincidir com os espectáculos e recital) –
            Recital de poesia contemporânea (no Café Concerto) –
            Encontro de poetas
            Apresentação de livros com a presença dos escritores-
TEATRO/CINEMA
            Peça de teatro galego – no Teatro Municipal
            Passagem de filmes/documentários da Galiza e de Portugal ou com temática transfronteiriça (colaboração com o Teatro de Vila Real e/ou Zona Livre)



ATIVIDADES ACADÉMICAS

            Conferência subordinada ao tema Autores Galegos na Renascença e Autores Portugueses na NOS. Colaboração da Fundação Eng, António de Almeida. Envolverá destacados investigadores de cada região.

INTERCÂMBIO ESCOLAR

            O autor escolhido para ser homenageado no âmbito das Letras Galegas é o escritor Manuel Maria. Os alunos portugueses serão convidados a ler um livro desse escritor e os alunos galegos leriam o livro de contos BICHOS de Miguel Torga. O nível etário escolhido foi o de 12/13/14 anos o que corresponde, sensivelmente, aos nossos alunos de 3º ciclo,
            Envolvimento da Fundação Manuel Maria e do Espaço Miguel Torga.

GASTRONOMIA E PRODUTOS DA TERRA
            Intercâmbio de chefs de restaurantes galegos e portugueses, divulgando a gastronomia regional. 
            Mostra/bancada de produtos de cada região, produtos ecológicos. Em simultâneo com a mostra de livros.

COMO?
Para atingir os objectivos propostos o grupo de trabalho quer envolver os agentes culturais da região, vincular e responsabilizar os espaços onde as actividades vão decorrer, dando-lhes autonomia para organizar e promover os eventos.  
Contamos também com a colaboração da autarquia no apoio logístico e financeiro.
Tentaremos também sensibilizar e envolver o sector empresarial da região, bem como os meios de comunicação social.



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