CULTURAQUEUNE.COM
Contexto
para elaboração do projecto
A Galiza
e o Norte de Portugal são filhos de uma mesma cultura que ficou dividida, não
tanto na época em que D. Afonso Henriques proclamou a independência do Condado
Portucalense, mas quando foram implantados os tratados de limitação de
fronteiras por estados liberais fortemente jacobinos e centralistas ao longo do
século XIX.
Nas
duas primeiras décadas do passado século XX, intelectuais e criadores galegos e
portugueses falaram da necessidade do reencontro. Mas as violências do século
XX, nomeadamente as ditaduras, a Guerra Civil Espanhola, a repressão, as
dificuldades económicas que afectaram os povos ibéricos pareceram silenciar
este diálogo que, na forma de encontros entre arqueólogos, escritores,
filólogos, etc., continuaram à margem do discurso oficial.
Amarante
é uma referência para este reencontro e também encontro. A figura de Teixeira
de Pascoaes, grande admirador de Rosalía de Castro (Pascoaes escrevia a Risco
que haveria de se lhe fazer uma homenagem) foi uma referência simbólica para a
intelectualidade galega. E não só Pascoaes. Também Leonardo Coimbra, Santos
Júnior, Carlos de Passos, Hernâni Cidade, Rodrigues Lapa, Vicente Risco,
Viqueira, Noriega Varela, Castelao, Filgueira, Jenaro Marinhas del Vallhe,
Valentín Paz Andrade, Carvalho Calero, são um bom exemplo de intelectuais que,
em algum momento da sua vida, trabalharam para o reencontro.
Mas
se é necessário o reencontro também é igualmente necessária a redescoberta de
um património cultural que teve origem no território da Gallaecia romana e que
teve na língua galaico-portuguesa a sua fonte de criação. O património comum
galaico-português faz parte do acervo da humanidade em criações tão singulares
como as cantigas medievais da nossa lírica que transparecem uma rica tradição
oral onde beberam os trovadores. A cultura popular comum que manteve a sua
vitalidade até ao presente, apesar da fronteira política, deve obter o seu
maior reconhecimento mediante a inscrição na Lista Representativa do Património
Imaterial da Humanidade da UNESCO.
A aprovação
a 11 de Março de 2014 pelo Parlamento Galego da Lei Valentín Paz-Andrade, fruto
de uma Iniciativa Legislativa Popular, publicada no DOG de 8 de Abril de 2014,
convida-nos, e até certo ponto obriga-nos, a aprofundar no esforço do
reencontro.
A fim
de contribuir para fazer da Lei realidade, damos impulso às seguintes
actividades a desenvolver em Amarante e na Corunha nesta edição de 2015, que
esperamos não seja a última. A eleição destas duas cidades para a presente
edição não é arbitrária. Se Amarante tem a força simbólica de Pascoaes, a
cidade da Corunha é onde está a sede da Academia Galega, instituição civil
constituída por aqueles que pensavam no ressurgimento da Galiza.
O grupo de trabalho que
constitui CUTURAQUEUNE está a desenhar as actividades para 2016, e tem
pretensão de prolongar a sua actividade em futuras edições.
QUEM?
O
grupo de trabalho Culturaqueune é, de momento, constituído por um conjunto de
entidades de natureza jurídica variada, tais como Fundações, associações
culturais, museus, autarquias, empresas e outras. Até ao final do ano será
criada e legalizada uma associação única com uma irmã gémea do outro lado da
fronteira. .
ONDE?
Gostaríamos
que o próximo abraço culturaqueune fosse entre Vila Real e Pontevedra.
QUANDO?
Por
razões simbólicas, os principais eventos decorrerão nos meses de Maio e
Junho.
Maio
é o mês das Letras Galegas – é o tempo de trazer o abraço galego a Portugal.
Junho,
e sobretudo a partir do 10 de Junho, Dia de Portugal, será o tempo de levar a
cultura portuguesa à Galiza.
O
1º e o último fim de semana de cada mês serão os momentos escolhidos para dar
mais visibilidade ao projecto.
O QUÊ?
Durante
o mês de Maio em Vila Real e no mês de Junho em Pontevedra, organizar-se-á um
conjunto de actividades de intercâmbio cultural envolvendo os agentes culturais
das duas regiões. Este ano haverá também, como novidade e a título experimental,
o intercâmbio escolar.
Os
eventos decorrerão nos equipamentos culturais da cidade, não apenas os que
fazem parte da tutela da autarquia, mas também os outros de natureza
particular, no sentido de os envolver e, sobretudo, o de os autonomizar,
futuramente, construindo o seu próprio projecto de cooperação.
Os
principais eventos contemplarão as várias áreas da cultura, nomeadamente:
MÚSICA
Música Erudita –
Música Popular –
ARTES
PLÁSTICAS
Exposição de Fotografia – Tema
TERRA, envolvendo 5 fotógrafos de cada lado da fronteira.
Exposição de pintura e escultura.
LITERATURA
Bancada de livros portugueses e
galegos (no átrio do teatro de Vila Real, a coincidir com os espectáculos e
recital) –
Recital de poesia contemporânea (no
Café Concerto) –
Encontro de poetas
Apresentação de livros com a
presença dos escritores-
TEATRO/CINEMA
Peça de teatro galego – no Teatro
Municipal
Passagem de filmes/documentários da
Galiza e de Portugal ou com temática transfronteiriça (colaboração com o Teatro
de Vila Real e/ou Zona Livre)
ATIVIDADES
ACADÉMICAS
Conferência subordinada ao tema
Autores Galegos na Renascença e Autores Portugueses na NOS. Colaboração da
Fundação Eng, António de Almeida. Envolverá destacados investigadores de cada
região.
INTERCÂMBIO
ESCOLAR
O autor escolhido para ser
homenageado no âmbito das Letras Galegas é o escritor Manuel Maria. Os alunos
portugueses serão convidados a ler um livro desse escritor e os alunos galegos
leriam o livro de contos BICHOS de Miguel Torga. O nível etário escolhido foi o
de 12/13/14 anos o que corresponde, sensivelmente, aos nossos alunos de 3º ciclo,
Envolvimento da Fundação Manuel
Maria e do Espaço Miguel Torga.
GASTRONOMIA
E PRODUTOS DA TERRA
Intercâmbio de chefs de restaurantes
galegos e portugueses, divulgando a gastronomia regional.
Mostra/bancada de produtos de cada
região, produtos ecológicos. Em simultâneo com a mostra de livros.
COMO?
Para
atingir os objectivos propostos o grupo de trabalho quer envolver os agentes
culturais da região, vincular e responsabilizar os espaços onde as actividades vão
decorrer, dando-lhes autonomia para organizar e promover os eventos.
Contamos
também com a colaboração da autarquia no apoio logístico e financeiro.
Tentaremos
também sensibilizar e envolver o sector empresarial da região, bem como os
meios de comunicação social.

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